Ana Raspini é viajante, além de professora de Inglês, e escritora.

Minha foto
Brasileira, professora de Inglês, escritora, mas acima de tudo, viajante.

domingo, 27 de março de 2016

Cataratas do Iguaçu - Lado Brasileiro

Eu já havia falado aqui sobre o Parque das Aves, primeiro passeio que fizemos no nosso primeiro dia cheio em Foz. Como o parque é bem em frente à entrada para as cataratas, decidimos fazer os passeios no mesmo dia.

O lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu é muito bem organizado, bem sinalizado e o turista é levado até as 4 paradas existentes num ônibus elétrico, onde uma gravação explica o itinerário do passeio tanto em Português quanto em Inglês. É clara a preocupação do Instituto Chico Mendes com a preservação do local.

Existem 4 paradas pelo caminho até o ponto final do passeio. Uma para a administração do parque, uma para a empresa Macuco Safari (veja mais abaixo) e duas paradas para trilhas: a do Poço Preto e a que todos os turistas fazem, a das Cataratas.

A trilha das cataratas é relativamente longa, mas o turista vai gradualmente se habituando à paisagem: a cada curva você vê quedas d'água que vão aumentando, até culminar na famosa queda Garganta do Diabo.



A Garganta do Diabo é o clímax do passeio. Existe uma passarela pela qual o turista passa para chegar bem próximo da queda. Pode-se, também, subir numa torre para ver a queda maior do alto.



Se você cruzar toda a passarela, ficará ensopado! Vá com roupas confortáveis, que não fiquem transparentes quando molhadas e leve calçado extra se não quiser ficar com os pés molhados no resto do passeio.

Por isso, também não recomendo visitar as cataratas no inverno.

Em todo o parque, tenha cuidado com os quatis. A população desses bichinhos é imensa e placas alertam o turistas para não alimentá-los, nem tocar neles, pois eles podem morder. Porém, os quatis parecem dar um jeito para conseguir comida!



Acabamos não fazendo a segunda trilha, pois já havíamos reservado o passeio de barco da Macuco Safari.

A Macuco Safari oferece um passeio pela selva, seguido de um passeio de barco inflável pelo rio, até as cataratas. O barco entra embaixo da queda um total de três vezes, encharcando o turista. Foi uma emoção difícil de explicar, um misto de medo e adrenalina. O passeio é caro, quase R$200, mas vale cada segundo para quem gosta de aventura. De novo, recomendo levar roupas extras. Nesse passeio você não fica apenas molhado, fica pingando de verdade!


Foto promocional Macuco Safari

Foto promocional Macuco Safari

Foto promocional Macuco Safari

Os funcionários filmam e fotografam tudo, para depois vender os CDs e DVDs na saída. Compramos apenas o CD de fotos, em conjunto com amigos porque achamos caro, mas as fotos são bem feitas.

Essa é a minha sugestão de roteiro para um dos dias da sua viagem. Leia também sobre a minha experiência no lado Argentino das Cataratas.

www.cataratasdoiguacu.com.br
www.macucosafari.com.br

quinta-feira, 24 de março de 2016

Foz do Iguaçu: Parque das Aves

Estive em Foz do Iguaçu em janeiro de 2016, e estava procrastinando falar sobre Foz porque não sabia por onde começar.

Decidi começar pelo começo. No nosso primeiro dia cheio na cidade, fizemos o seguinte roteiro:
Parque das Aves, lado brasileiro das Cataratas do Igraçu (cuja entrada fica em frente ao Parque das Aves) e o passeio de barco do Macuco Safari para fechar o dia. Foi cansativo, mas possível. O lado brasileiro das cataratas é pequeno e permite este roteiro.

Vou falar de cada coisa separadamente, e depois pretendo falar do lado argentino das cataratas, que foi, pra mim, o grande protagonista da viagem.

Parque das Aves

Estávamos com amigos estrangeiros e eles fizeram questão de visitar o parque. Pensei que um brasileiro não pudesse se impressionar lá, mas confesso que foi um passeio e tanto. O parque não se limita a araras e tucanos, e a preocupação com o "cenário" é impressionante.

Já na entrada, realizei o sonho de ver flamingos, apesar de eles não estarem tão cor-de-rosa como eu sonhava. Não sei dizer se é a época do ano ou a alimentação deles que os faz mais "brancos" aqui, mas o fato é que eles fedem! rsrs!


Um brasileiro já viu um sem-número de araras nessa vida, mas eu confesso que nunca tinha visto um tucano bem de perto. Essas aves mansas ficam soltas em grandes áreas pelo parque.

 

Mas tenho certeza que o que mais encanta as pessoas nesse parque é o reduto das araras. Um espaço imenso onde araras de todas as cores voam livres, se alimentam e até brigam!


Mas como eu disse antes, o parque não se resume a aves brasileiras. Foi muito impressionante ver uma Harpia, a maior ave de rapina do mundo. É um animal que, sentado, tem 1,50 de altura.

Igualmente inesquecível foi ver um Casuar, uma das 3 espécies de aves do mundo que não voam (juntamente com a Ema e o Avestruz). O Casuar, original da Austrália, tem dedos de dinossauro, altura de uma criança de 9 anos e produz um som assustador. Dizem que o Casuar é perigosíssimo, e é famoso por atacar pessoas na Austrália.


O parque também mantém uma coleção lindíssima de bromélias.


A entrada do Parque das Aves custa R$30 para brasileiros. É um passeio que leva entre 1 e 3hs. É "family friendly" e vale cada centavo.



Parque das Aves

Fone: +55 45 3529-8282

Site: http://www.parquedasaves.com.br/

sexta-feira, 11 de março de 2016

A felicidade contida num roteiro

Nossa vida emocional é como uma montanha russa. Um dia normal, seguido de um dia triste, seguido de um dia loucamente frenético, seguido de outro dia normal, seguido de um dia feliz...

Se todos os dias fossem normais, viver não teria graça. Se todos os dias fossem tristes, também não. Se todos os dias fossem felizes, morreríamos sem fôlego entre um suspiro e uma arfada.

Para o viajante, dias normais significam 'trabalhar para juntar dinheiro para a próxima viagem'. Dias tristes são aqueles em que perdemos uma super promoção aérea, ou pensamos demais e perdemos aquele pacote super em conta que sua amiga agente de turismo te enviou.

Mas os dias felizes... Ah, os dias felizes são aqueles em que você conseguiu comprar uma passagem aérea com um preço que cabe no seu bolso e sai loucamente pesquisando por hotéis/hostels. Abre dezenas de janelas no computador numa saga desvairada para comparar preços, localizações, avaliações do Tripadvisor...

Os dias que se seguem são geralmente felizes também. Para mim, a parte da pesquisa e da montagem do roteiro é a mais feliz.

Ler blogs, sites de viagens, memorizar o mapa da cidade, calcular tempo, distâncias, jogar nomes no Google para ver se algum lugar desconhecido vai arrebatar o seu coração. Se habituar aos nomes dos lugares, ao idioma, aos costumes locais.

A felicidade do viajante se resume a abrir um documento no computador com o nome do próximo destino.

Os dias ficam mais leves, mais fáceis de viver, os colegas de trabalho notam o nosso bom humor, um novo lote de alegria é depositado no nosso coração.

Essa renovação da alegria é o que nos mantém seguindo em frente.

Mas a alegria de montar um roteiro só não é maior que a alegria de chegar ao destino, de pôr os olhos pela primeira vez em algo completamente novo.

Mas obviamente, a viagem é seguida pela volta, pela depressão pós-viagem, pelo normal de novo. E essa montanha russa emocional seguirá até, um dia, parar. Não podemos saber se ela vai parar no ponto mais alto, no mais baixo ou no meio. O que podemos fazer é capturar cada oscilação da maneira mais intensa e genuína.

Boa viagem!



sexta-feira, 4 de março de 2016

Quando eu chorei numa viagem

A Ana Claudia Crispim, do blog Rivotrip, escreveu esse texto aqui falando das vezes que ela, e alguns amigos, choraram de emoção numa viagem. Então, eu fiquei pensando se eu também já havia chorado de emoção numa viagem...

Passei dias pensando no que senti ao ver o Coliseu, a Torre Eiffel, meu primeiro castelo... Mas me dei conta de que as vezes em que realmente me emocionei numa viagem não foram necessariamente ligadas a questões visuais.

Não sou uma pessoa muito 'visual', sou mais 'sinestésica', me marcam mais as coisas ligadas à sensação. Minhas lembranças mais vívidas são aquelas ligadas ao sabor, cheiro, som e toque das coisas.

E ao perguntar a amigos o que mais os emocionou em viagens, uma amiga que disse que "já pseudo chorou ao ver algumas obras de arte", também lembrou que as obras de arte que mais a amocionaram foram aquelas que ela nem sabia que veria.

Taí, o elemento surpresa é uma das características mais importantes da emoção arrebatadora que arranca lágrimas dos nossos olhos.

Foi então que lembrei... Lembrei da vez em que agradeci pela escuridão do lugar, onde as pessoas não viram que eu estava vermelha, de olhos marejados tentando disfarçar:

Queríamos ver Fado em Lisboa, mas não sabíamos em qual das casas de Fado profissional ir. Ao perguntar à recepcionista do Hostel que lugar ela recomendava, ela explicou que nessas casas de Fado o ambiente, as fantasias, os cantores, os musicos são quase um teatro, tudo perfeitinho para impressionar o turista, mas que lhes falta a raiz, o coração, justamente aquilo que faz do Fado esse retrato do povo português que ele é.

Ela mencionou a Tasca do Chico, e explicou como funciona o Fado Vadio: num bar despretencioso, lisboetas se reúnem para beber, conversar e, quando alguém se sente inspirado, levanta e canta. Sem roupas típicas, sem maquiagem, sem encenação, apenas canta o Fado que lhe vem ao coração. Dois violeiros acompanham, claro.

Chegando na Tasca do Chico, vimos o lugar com apenas sete mesas comunitárias encher logo, e ainda tinha gente em pé e outras do lado de fora. O tal Chico se faz mestre de cerimônias, e abre a noite, mencionando algum lisboeta célebre que esteja presente.

Quando a primeira pessoa cantou, aquele ritmo e aquele sotaque ainda me eram estranhos, mas achei lindo de qualquer forma. Mas foi quando a segunda pessoa cantou, uma senhora cuja história daria um Fado só para si, foi que tudo aconteceu.

Chico explicou que ela não cantava há mais de um ano, em luto pela morte da mãe. E a cantora soltou os pulmões numa canção chamada "Segredos", numa letra que entrou em mim e não saiu até hoje...

"Fui amada, fui negada, 
Fugi, fui encontrada, 
Sou um grito de revolta.

Mesmo assim, porque te prendes? 
Foge de mim, não entendes? 
Eu nasci para ser gaivota"

"Eu nasci pra ser gaivota"... Enchi os olhos d'água, tentei secar sem ninguém perceber, envermelhei... Aquilo foi das coisas mais profundas, mais genuínas que já vi e ouvi na vida. É preciso estar em Portugal para entender porque o português nasceu para ser gaivota...

Essas memórias afetivas de viagem são as mais preciosas, lembrar de como você se sentiu surpreso e feliz vale mais do que mil fotografias para mim.



Acredito, de verdade, que a beleza salvará o mundo. É a beleza que me salva a cada dia.

***

Um fado na Tasca do Chico:


A canção "Segredos":

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Malacara e Rio do Boi: Duas Trilhas em Praia Grande/SC

Falei aqui recentemente do Parque Nacional dos Aparados da Serra e das suas duas trilhas, que são auto-guiadas, e pela parte superior do canyon.

Agora quero falar das muitas trilhas existentes na parte inferior dos canyons. Nesta matéria, vou focar em duas trilhas que existem partindo da cidade de Praia Grande, em Santa Catarina.

Em breve, falarei também de duas trilhas a partir da cidade de Jacinto Machado, também em Santa Catarina.

Nessas trilhas por dentro dos canyons, é necessário estar acompanhado de um guia. Essa região pode ser perigosa, e pessoas já morreram por se aventurarem sozinhas por lá. Por isso, contrate um guia. Os preços dos guias variam de 60 a 75 reais por pessoa.

Em Praia Grande, eu recomendo o guia Paulinho, da empresa Verdes Canyons. O guia Paulinho tem um conhecimento extenso, tanto histórico quanto geológico, da região.

Fiz as duas trilhas abaixo na sequência na qual as citei, e creio que essa é a sequência que todos devem fazê-las: a trilha do Malacara é uma ótima prévia, e treinamento, para a trilha do Rio do Boi.

Trilha do Malacara:

Esta trilha tem duração média de 4 horas e é feita em terreno plano. Apesar de ser junto de um rio, a probabalidade de que você se molhe é pequena. Creio que a maior dificuldade dessa trilha seja andar pelas pedras do rio, que são redondas e um tanto traiçoeiras: se você não apoiar o pé da maneira correta, pode cair.


Ao final da trilha, você verá os primeiros paredões do canyon Malacara e poderá nadar nas piscinas naturais e limpíssimas da região.

Nível de dificuldade: Moderada




Trilha do Rio do Boi:

Essa trilha dura, em média, 8 horas para ser feita (ida e volta). Ela é uma das mais difíceis da região. O terreno, apesar de irregular, é plano na sua maior parte. É preciso cruzar o rio 18 vezes (9 na ida, 9 na volta), o que dificulta a caminhada em dois sentidos: andar com as botas molhadas não é tão confortável, e se for uma época de chuvas, o nível da água do rio estará alto e a correnteza estará forte. Existe uma ténica para cruzar o rio de maneira segura que é dando a mão para os companheiros.

Essa trilha entra, de fato, no canyon Itaimbezinho, o que significa  uma vista de tirar o fôlego. Olhar pra cima e ver um paredão de 700 metros de altura assusta e encanta.

Nível de dificuldade: Pesada.







O que levar nas trilhas:
Vídeo
- roupas de caminhada;
- bota de caminhada com meia;
- roupa para banho no rio (nos casos em que isso se aplica);
- roupa e calçado reserva para trocar no retorno da trilha;
- mochila pequena de costas;
- toalha, boné, filtro solar, repelente de insetos;
- máquina fotográfica;
- lanche (sanduíches, frutas, barras de cereal, chocolate);
- garrafas de água.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Parque Nacional dos Aparados da Serra

Também conhecido por Itaimbezinho, o Parque Nacional dos Aparados da Serra fica na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, separando os municípios de Praia Grande (SC) e Cambará do Sul (RS). Itaimbezinho é, na verdade, o nome de um dos canyons protegidos pelo parque.

O parque abre de terça a domingo, das 8h às 17h, mas o que poucos sabem é que não adianta entrar no parque muito depois das 10h da manhã no verão ou meio-dia no inverno.

Sabe por quê? Porque o choque do ar frio de cima da serra se condensa ao entrar em contato com o ar quente do pé da serra, ocasionando forte neblina. Os moradores daquela região chamam a neblina de "cerração" ou "viração".

Muitas pessoas ficam frustradas ao chegar no parque e se deparar com uma visibilidade quase zero.

Por isso, acorde bem cedo e chegue no parque quando ele abre, às 8h, para um passeio inesquecível!

O parque oferece duas trilhas:

Trilha do Vértice: Esta é a trilha mais curta, em menos de uma hora de caminhada é possível chegar a um mirante e ver duas cascatas impressionantes: a das Andorinhas e a Véu de Noiva.




Trilha do Cotovelo: Esta trilha é a mais longa, pode levar de 1h30 a 3 horas e tem vista para paredes longas e impressionantes do canyon.




Essas duas trilhas são as que o parque oferecem, são na parte superior do canyon e são auto-guiadas, ou seja, você as faz sozinho.

Existem outras trilhas mais complexas que você pode fazer na parte de baixo dos canyons. Em Praia Grande, entre em contato com o Paulinho, da Verdes Canyons para fazer a Trilha do Malacara, a belíssima Trilha do Rio do Boi, entre outras, as quais eu pretendo mencionar aqui no blog em breve. Essas trilhas precisam ser feitas com guia, é proibido entrar sozinho nessa região baixa dos canyons por conta da sua periculosidade. 

Já que o passeio acaba cedo, entre meio-dia e 13h, minha sugestão é ir almoçar em Torres e finalizar o dia conhecendo a cidade. Falei do que fazer e onde comer em Torres aqui.

Serviço:
Parque Nacional Aparados da Serra
Rodovia SC-450, s/nº, Praia Grande - SC
Telefone: (54) 3251 1173 (54) 8133 4772
Site do Parque

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Missão de Viajante: Quebrar esteriótipos sobre o Brasil

Numa conversa no grupo das Travelettes, no Facebook, me peguei falando com mulheres do mundo inteiro sobre como estadunidenses respondem o nome do seu estado ou até cidade quando perguntados "De onde você é?" numa viagem.

Disse a elas que mesmo meu país sendo do tamanho dos EUA, ou do tamanho da Europa inteira, eu ainda prefiro responder apenas "Brasil".

Se a pessoa tiver mais interesse, ela que dê continuação à conversa. E o que geralmente se segue é a já tão esperada pergunta feita a brasileiros no exterior: "Você mora no Rio ou em São Paulo?"

Ao que respondo: "Nenhum dos dois. Sou do sul do país, lá onde neva!"

E a cara de choque das pessoas não tem preço!


Acho que nós somos um país grande demais e plural demais para que as pessoas continuem achando que o Brasil só se resume a futebol e samba.

Me sinto, de fato, a embaixadora do choque cultural brasileiro.

Adoro contar pras pessoas que não falamos Espanhol, ou que ODEIO futebol, ou que neva no inverno em algumas regiões!

Nenhum esteriótipo é justo, porque os esteriótipos são rasos, unilaterais, limitadores.

Que outros esteriótipos você já ajudou a quebrar sobre o Brasil?