Ana Raspini é viajante, além de professora de Inglês, e escritora.

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Brasileira, professora de Inglês, escritora, mas acima de tudo, viajante.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Imigrante

Sair do país é sair-se de si

Olhar para dentro por outro ângulo

Como a alma observa o corpo a dormir

De acordo com aqueles que acreditam em almas.

O formato das tomadas, as portas e janelas

Novas regras sociais

O sabor da água, da sobremesa...

Sua consciência vira imigrante no seu corpo

Seu corpo é imigrante naquele clima

A mercê das doenças de pele

Que o frio marca como se fosse ferro em brasa.

A mercê dos pães e das carnes

E os dentes que se vão com eles.

Você substitui preocupações como roubo e estupro

Pela preocupação com a cal

Ou com os animais que roem os cabos do seu carro

O que pode ser igualmente letal, dependendo do cabo.

Sair do país é descobrir que a gestação de uma amizade

É a mais longa do reino animal

É um curso intensivo nos defeitos dos outros,

Mais os seus, mais as dificuldades circunstanciais.

Sair do país é dar um novo sentido à solidão

O sentido mais completo

Não reconhecer e nunca ser reconhecido

Tornar-se invisível na multidão, no trabalho, no bairro

Passar dias sem proferir um som familiar,

Dias sem ouvir um som familiar.

Expandir-se a vários continentes traz o gozo, a dor

E o discernimento de que não há volta para o ninho.


Vilsalpsee, Austria


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Como sabemos se o processo de imigração foi concluído com sucesso?

Dia 12/12/2017, hoje faz um ano que chegamos na Alemanha para morar. Apesar de já conhecer o país antes, pois já era casada com um alemão há 6 anos naquela data, cheguei cheia de sonhos e ilusões. Lembro vivamente de achar até o céu naquele dezembro cinza tão lindo que valia uma foto. Fiz a foto, logo depois fui descobrir que comprar uma cozinha custaria os olhos da cara e que não poderíamos financiá-la, como anunciado no site da empresa, pois meu esposo ainda não tinha 6 meses no emprego (na data, ele não tinha nem um dia, apenas o contrato). A cozinha era uma das pouquíssimas coisas que poderia ser financiada aqui. Ali nos demos conta dos espinhos com os quais não contávamos pelo caminho.
   Àquela experiência seguiram-se outras, tão ruins quanto, senão piores. Enquanto eu não comprovasse o nível A1 de alemão (o qual eu havia estudado já no Brasil, mas do qual eu não tinha um certificado de um órgão oficial, como o Goethe Institute, por exemplo), eu não ganharia ajuda de custo do governo para fazer o A2, e não me dariam um visto de permanência, mesmo sendo casada com cidadão da UE. Porém, eu não queria ficar sentada esperando a prova do A1 chegar. Me inscrevi no curso do A2 pagando valor integral. Acontece que sem visto, eu não poderia trabalhar, apenas estudar.
Imagine estar desempregada, pagando caro para estudar, enquanto precisa mobiliar uma casa do zero. Quer mais? Imagine nesse cenário, você receber uma multa de alguns milhares de euros por download ilegal. Erro nosso, obviamente, pois devíamos ter nos informados sobre as leis a respeito, antes de eu baixar alguns seriados para ver naquele muito tempo que eu tinha livre nas mãos. Pois é. A vida acontece. Nunca me senti tão triste como naquela ocasião. Costumo dizer que aquele foi o meu momento “Bem vinda à Alemanha”. Contratamos um advogado para nos livrar da multa, pois o advogado custaria menos que a mesma, e seguimos o baile.
   Sim, viemos pois meu esposo havia recebido uma proposta de emprego aqui, e a renda dele era, sim, algo com que podíamos contar. Porém, pagando pelo meu curso e transporte, pagando aluguel e todas as outras coisas necessárias a uma casa, sobrava muito pouco para móveis. Fiz uma lista de móveis mais prioritários, e compramos quase todos usados pela internet, uma dádiva deste país. Alguns móveis que eu encontrava muito baratos na internet, mas que não eram prioritários, tive a brilhante ideia de fazer um “uso duplo”. Nossa escrivaninha de hoje foi, por muito tempo, mesa de jantar. A estante de livros foi, por ainda mais tempo, nosso guarda-roupas.
Finalmente o resultado positivo da prova do A1 chegou e o governo pagou pelo meu curso de B1. Depois de alguns documentos perdidos (!!!) pela secretaria de imigração, depois de muitas entrevistas e de algumas taxas, em abril de 2017 meu visto chegou e pude trabalhar. Trabalho aqui não falta, e eu já tinha uma vaga garantida como professora de inglês numa escola de idiomas desde antes mesmo de meu visto chegar. Estudar 20hs e trabalhar outras 20hs em algo que realmente amo me fez sentir bem mais viva e útil.
Em maio comecei outro processo que viria a se tornar a maior dor de cabeça de todas: a temida carteira de motorista alemã. Valores altíssimos, mais de 1000 questões teóricas para memorizar, instrutor rude que passava todas as aulas drenando até a última gota de auto-estima e motivação que eu tinha. Para ele, tudo que eu fazia ao volante era errado, tudo era reflexo do péssimo trânsito brasileiro. Na primeira prova teórica, falhei. De novo, aquele sentimento de não-adequação tomava conta de mim. Aquele foi meu momento “Este país não é para amadores, e você é uma mera amadora”. Mais estudo, mais aulas, mais dinheiro investido, um total de 3 meses e 1.500 euros gastei nesse processo. Finalmente, fui aprovada na prova teórica. Uma semana depois, fui aprovada na prova prática de primeira. Mais um mês depois, chega o certificado do B1 com boas notas.
Quando você olha pra trás para estas conquistas, você pode achar que me sinto como se tivesse alcançado muito. Mas não. Mesmo depois de tudo isso, nada me tira da mente a certeza de que um imigrante só está totalmente adaptado ao novo país quando você consegue explicar ao cabeleireiro que corte quer, ao dentista o que aconteceu, e ao médico os sintomas que sente.
Hoje eu fui ao cabeleireiro sozinha pela primeira vez e, mesmo com meu alemão quebrado, o corte saiu mais parecido com o que eu queria do que nas outras duas vezes em que fui com meu esposo ou uma amiga como tradutores. Em um ano eu só havia ido ao cabeleireiro duas vezes, por medo. No Brasil, em um ano, eu teria ido ao cabeleireiro seis vezes.
    Já precisei ir ao dentista sozinha, um que não falava inglês, mas como ele falou muito mais do que eu sobre o que precisava ser feito, saí com a auto-estima quase ilesa. Quando eu não entendia uma palavra, ele tinha paciência suficiente para mostrar numa boca de gesso sobre o que ele estava falando. Não foi uma conversa satisfatória, mas creio que nos entendemos.
       Porém, até hoje só fui ao médico acompanhada, ou exijo que me coloquem com a médica que sei que fala inglês. Não tenho, absolutamente, vocabulário em alemão para explicar sintomas, efeitos colaterais e afins. Um ano aqui não foi suficiente para tal. Me pergunto quanto tempo precisarei para isso.
   Por isso, para mim, isso é o que significa concluir felizmente a adaptação ao novo país: conseguir se virar em qualquer situação, seja ela qual for, emergencial ou não, na língua local, sem ajuda.

    Lembro com orgulho de quando comprar uma simples passagem de ônibus com o motorista era um pesadelo, e que hoje isso faz parte do meu cotidiano. Hoje mesmo, tive minha primeira conversa “fiada” na parada do ônibus com outros passageiros. Hoje, o pesadelo do cabeleireiro foi exorcizado com sucesso. Quando o pesadelo do médico e do dentista também serão? Um medo de cada vez.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O que aprendi sobre cerveja com os alemães

Primeiramente, devo avisar que sou casada com um alemão, bávaro, que, dada sua paixão pela cerveja, acabou por aprender sobre o processo e fazer cerveja artesanalmente nos últimos meses em que moramos no Brasil. Mas creio que posso dizer que todo bávaro é um apreciador e conhecedor de cerveja, independente da idade ou sexo. Além de casada com um "cervejeiro nato" por 7 anos, estou morando na Alemanha há um ano, onde tenho intensificado meu conhecimento e apreciação por esse alimento. Sim, na Alemanha, a cerveja é, de fato, considerada alimento. Beber uma ou até duas cervejas por dia, todo dia, não é considerado algo negativo, muito menos alcoolismo, como meu pai teima em julgar.

Porém, este alimento tão nobre vem com suas regras de conduta. Algo que brasileiros acostumados a tomar Skol, à base de milho, sem colarinho e quase congelada, devem aprender. Eu aprendi e compartilho aqui as boas maneiras do consumo de cerveja na Alemanha.

1. Brinde!

Nenhuma gota de bebida alcoólica deve ser consumida sem que se brinde com seus amigos e convidados. A menos que você esteja sozinho, você deve sempre brindar olhando cada pessoa nos olhos. Reza a lenda que brindar sem olhar nos olhos traz a maldição de 7 anos de sexo ruim! Vai arriscar?




2. Espuma é bom

Ao servir sua cerveja, que na Alemanha consiste em uma garrafa de 500ml em um copo de 500ml, você deve deixar que ela faça um pouco de espuma. Permitir que o CO2 se dissolva com a espuma não só irá te permitir beber mais, pois seu estômago não vai inflar tanto quando com uma cerveja cheia de CO2, como também vai proteger a cerveja, mantendo seu gás e sua temperatura.






3. 12 graus é o ideal

De acordo com Klaus Bischoff, guia da Cervejaria Ayinger, a temperatura ideal para o consumo da cerveja é 12 graus. Isso é quase inconcebível para brasileiros por conta da qualidade da cerveja brasileira. Eu sei que é impossível beber uma Skol, Brahma ou Kaiser a 12 graus. É literalmente intragável! Porém, uma cerveja alemã, obrigatoriamente fiel à lei alemã da pureza (Reinheitsgebot), pode ser degustada diretamente da porta da geladeira ou até mesmo saída do porão.




4. A melhor marca é sempre a local

Na Alemanha, não importa se uma marca é famosa, o que importa é ela ser local. Na Alemanha, por exemplo, você não encontra as famosas cervejas trapistas belgas no mercado, porque elas não são locais. Nem mesmo a Weihenstephan, cervejaria alemã que é considerada a mais antiga do mundo, é vendida em outras regiões que não a sua. Conhecer cervejas é o ponto alto do turismo dentro da Alemanha. Os alemães viajam muito dentro da Alemanha, e além da arte, cultura e belezas naturais, as cervejas locais fazem parte da experiência.




Agora vá lá ver seus amigos, abra uma (ou mais) cerveja(s), olhe nos olhos, brinde e seja feliz!

Prost!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rep. Dominicana: Praias, Policiais e Parasitas (não necessariamente nesta ordem)

Foram necessários alguns meses para que eu conseguisse escrever sobre o que passei na República Dominicana. E assim como testemunhos maravilhosos de amigos que haviam visitado o país me fizeram, de certa forma, "baixar a guarda" e pagar um alto preço por isso, eu não quero que minha experiência ruim faça alguém desistir de visitar esse país. Apenas vá preparado.

Ainda tenho sentimentos conflitantes sobre a experiência...

Havíamos sido alertados sobre o "hábito" dos policiais dominicanos em pedir "propina" aos turistas. Porém, o conselho que tirei dessas informações foi a precaução de deixar na carteira apenas uma parte do dinheiro que tínhamos, e esconder o resto (em diferentes lugares, caso fosse necessário mostrar mais).

O problema é que imaginávamos policiais que, sabendo da ilegalidade do que pediam, o fizessem calmamente, na sordina. Mas não. Após pegar o carro alugado no aeroporto, nos primeiros metros que dirigimos no centro de Santo Domingo, já fomos parados por um policial. Este meliante disse que havíamos passado um sinal vermelho (num local onde nem semáforo havia), e exigiu o passaporte e carteira de motorista do meu esposo, que dirigia o carro. E foi então que o pesadelo começou. Com os doocumentos em mãos, ele começou a nos torturar. Ele gritava, fazia ameaças de que teríamos que ir à delegacia, pagar uma multa altíssima e talvez fôssemos presos. Disse ainda que precisaríamos contratar um advogado especializado em estrangeiros. Ele estava tão agressivo, que nós, de fato, acreditamos que poderíamos ser presos. Dissemos a  ele que iriamos à delegacia. Mas então tudo ficou ainda mais estranho. Ele deixou o colega dele com a viatura, e estrou no nosso carro para nos levar à delegacia! Minha mãe estava no banco de trás e temeu pela sua integridade física, por havia um homem estranho ao seu lado.

Ele nos mandou dirigir por uma rua, e fomos. A rua era mais calma, e foi então que ele começou a negociar. Para nos assustar, disse que além do advogado, teriamos que fazer um curso, que levaria um dia todo, sobre como dirigir no país. Por favor, imaginem que a Republica Dominicana tem o transito da Índia, apenas com um pouco menos motocicletas. Foi então que ele disse o valor da multa: 17 mil pesos. Isso dá 360 dólares! Dissemos que não poderíamos pagar e que conversaríamos com o delegado sobre isso. A cada esquina "a caminho da delegacia" ele dava novas informações, sobre quanto perderiamos com o curso e o advogado. Quando ele disse que poderia receber uma quantia inferior à multa mencionada antes, foi que entendemos que estávamos sendo extorquidos, porém, por um profissional. Chegamos a um valor abaixo da multa, mas ainda bem salgado. Como eu havia tirado um pouco de dinheiro da minha carteira, e o resto estava escondido nas malas, precisei pedir a minha mãe que me desse dinheiro. Quando ele viu mais dinheiro na carteira dela, quis mais. Eu gritei com ele e disse que se pegasse tudo, não teriamos o que comer. Foi então que ele, de mal grado, pegou os 150 dolares (que fique claro que isso era 1/4 do que tíanhmos para toda a viagem), jogou os documentos do meu esposo no colo dele e saiu do carro.

Ao chegar no hotel e contar nossa história ao recepcionista, ele disse que o procedimento nesses casos é fazer um video ou foto do criminoso e ameaçar enviar por twitter ao chefe de polícia do país. Para nós já era tarde, mas talvez pra você não seja.

Eu nunca havia temido pela minha integridade física antes, nem no meu próprio país, nem em outro. E naquela viagem eu me sentia responsável pela integridade da minha mãe também. Era a primeira vez que ela saia do país. Foi um medo que me faz limitar para quais países eu viajo hoje em dia.

As praias? São realmente lindas, mas eles permitem que cães passeiem por elas. E foi assim que voltei pro Brasil com um trauma e um parasita no pé. Cães na praia transmitem parasitas como o Bicho Geográfico. O tratamento não foi legal.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Intercâmbio depois dos 30: Vantagens e desvantagens

Eu sempre quis morar fora do país por um tempo, isso sempre esteve nos meus planos. E eu sempre quis ficar pelo menos um ano, para ver todas as estações e todas as celebrações daquele país.

Quando eu era adolescente, o plano era pegar um avião pra Londres assim que terminasse a graduação. Acho que Londres é o sonho de qualquer professor de Inglês.

Mas a vida, meu amigo...

Só consegui visitar Londres aos 27 anos, no meio do Mestrado, e digamos que a cidade não era como eu esperava. Era inverno e o clima foi uma desgraça, choveu em cada um dos 7 dias que passei lá. As pessoas estavam mau-humoradas, a comida era pesada e a cerveja sem gás. Depois da viagem de Londres, "aprendi a não carregar expectativas na mala. Pesam muito".

A vida tomou seus rumos próprios e se contassem pra Ana de 14 anos que ela casaria com um alemão, ela daria risada. Casei com um alemão e moramos no Brasil durante 7 anos antes de tomar a decisão de vir pra Alemanha.

Então, eis que aos 31 anos me vejo morando num país cujo idioma eu não falo, estudando diariamente para compreendê-lo. Como ainda não posso comprovar o nível A1 (um exame que farei em breve), não posso trabalhar, são as regras do país. Voltei a ser apenas estudante, aos 31 anos.

Noto diariamente as vantagens de, finalmente, realizar o sonho do intercâmbio, mas também noto as desvantagens. Vamos a elas:

AS DESVANTAGENS estão na idade, no 'aluguel' do corpinho que fica cada dia mais caro. Depois dos 30 a gente já carrega umas burocracias com a saúde que não carregava 10 anos antes: É uma enxaqueca que você acompanha com o neurologista da sua cidade, um nódulo no seio que você precisa verificar anualmente, uma dor chata nas costas que só passa com aquele relaxante muscular que só vende no Brasil. Aliás, taí outro grande problema, a maioria dos países europeus não permite a venda de quase nenhum medicamento sem receita médica. Isso complica bastante a vida da gente que já estava habituado com relaxante muscular, anti-inflamatório, etc. Passei um mês com dor nas costas depois que cheguei porque ajudei o esposo a subir uma cama box, um sofá de 3 lugares e mais uma dezena de coisas dois andares acima. A Ana de 22 anos teria se recuperado bem mais rápido desse tipo de esforço físico.

AS VANTAGENS são, na minha opinião, a realização do sonho em si, mais esse degrau galgado na sua história de vida. E realizar esse sonho com maturidade tem vários benefícios.

Maturidade para ter calma nas horas difíceis faz toda a diferença. A Ana de 22 anos que planejava morar fora teria morrido de ansiedade a cada vez que não compreendesse o que alguém disse. Em contrapartida, a Ana de 31 desencana, ela apenas sorri e diz: "Entschuldigung, ich spreche kein Deutsch" (Desculpe, eu não falo alemão).

Outro exemplo: Estamos sem cozinha há um mês e meio (já mencionei isso aqui), lavamos a louça no banheiro, e se não lavarmos as duas facas e dois garfos que temos a cada uso, ficamos sem. Dez anos atrás, essa situação me daria comichão por conta da ansiedade e frustração. Hoje não. Eu realmente não me importo mais. Agora eu foco na 'imagem maior', em tudo que isso representa, e não nos detalhes que poderiam me enfurecer.


A maturidade também vem com a capacidade de contemplar o que há ao redor, observar as pessoas, aprender com elas. Maturidade traz humildade para aceitar a cultura do outro, sem perder de vista a própria identidade.

Essa mensagem abaixo chegou em mim tarde demais, mas eu ratifico cada linha: "Viaje enquanto for jovem e capaz. Não se preocupe com dinheiro, apenas faça dar certo. A experiência é infinitamente mais valiosa do que o dinheiro jamais será."

Se ainda não tiver passado dos 30: VÁ MORAR FORA!
Se já tiver passado dos 30: VÁ, mas leve os remédios consigo. ;)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Um novo país, um novo personagem

Uma amiga (oi, Veruska!) me marcou hoje nesse texto aqui, do Felipe Pacheco. Um texto um tanto dramático sobre como sair do país é, de certa dorma, morrer. No texto ele conta que está morando no Canadá há um mês, e eu rio da coincidência, pois estou na Alemanha há um mês também.

Não concordo com algumas coisas que ele diz, como a comparação do bota-fora a um velório, ou da despedida no aeroporto ser como um enterro. Minha partida não foi triste como um velório ou um enterro, meus familiares e amigos sabiam que eu estava indo realizar um sonho de longa data e estavam felizes por mim. Teve choro na despedida, claro! Mas teve sorriso, teve "até logo". Teve "boa sorte" e teve "nos vemos em setembro". Teve alguns "te amo" meio atrasados, mas isso é só um nó a menos pra carregar na garganta depois.

Sobre se redescobrir, se reiventar, eu já tentava fazer isso todo dia. Não sou escritora, uma vez que não recebo para tal, mas escrevo todos os dias da minha vida, e quem escreve olha muito pra dentro. Porque olhar pra dentro é se questionar, se negar e se aceitar. Refletir sobre si para poder escrever sobre o humano e sobre o mundo te obriga a te virar do avesso. Eu nunca acreditei que eu era o meu emprego, o meu carro ou o meu pequeno apartamento, como ele diz. É óbvio que eu não sou a minha rotina. Nem nunca permiti que minha rotina definisse quem eu sou.

Mas eu confesso que concordo plenamente quando ele fala em se reinventar. Num novo ambiente, você também adota o novo para si, e eu acho que essa parte do "novo papel" é a melhor. Sair do seu país e começar uma nova vida em outro é como ganhar uma tela em branco, de certa forma. A gente preenche ela como quer, dentro das oportunidades oferecidas, claro. Mas tanto a tela, quanto as oportunidades são diferentes, por isso, a imagem final, o papel a ser representado, será diferente.

A cada "morte" do papel antigo, a cada novo papel, existe a chance de fazer melhor que antes. Se preocupar menos, se permitir mais, ser mais (ou menos) saudável, confiante, espontâneo... A tela em branco é linda e assustadora ao mesmo tempo. Estou vivendo as delícias e medos da tela completamente em branco pela primeira vez, mas já acho que todo mundo devia passar por isso um dia, é libertador.

P.s.: Na foto abaixo, uma das muitas maneiras que eu me reinvento todo dia: Estamos morando num apartamento sem cozinha. Encomendamos uma, porém, o tempo de espera é de 2 meses. Mas como é inverno, os itens que iriam para a geladeira ficam assim, na sacada.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Um chaveiro e uma saudade

Há alguns anos - 5 ou 6, não sei precisar - meus pais me deram um chaveiro de presente. Eles haviam ido visitar Piratuba, em Santa Catarina, região famosa por suas águas termais e suas pedras. O chaveiro era de uma pedra amarronzada e tinha o formato do Brasil.

Na época, deixei o presente de lado, eu já tinha um chaveiro: um que uma amiga tinha trazido de Londres pra mim. Lá no Brasil, um chaveiro do Brasil não tinha serventia.

Agora, alguns anos mais tarde e 11 mil quilômetros distante do Brasil e dos meus pais, coloquei as chaves da minha nova casa européia naquele chaveiro de pedra. Agora ele tem um significado.

Acho que é isso que os pais fazem, nos fornecem coisas - seja um casaco, seja um conselho - que só farão sentido mais tarde.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Lista de Viagem (o que levar na bagagem)

Eu já falei aqui da minha Lista pré-viagem, com todas as providências que você deve tomar antes de viajar.

Também já falei aqui do meu Kit Avião, uma pequena bolsinha com itens de sobrevivência para voos longos.

Agora quero falar da minha Lista de Viagem, uma lista que contém todos os itens que não posso esquecer de levar na bagagem, separados por destino, e as últimas providências a tomar antes de sair de casa.

NA MALA:
  • Absorvente, lâmina de depilação
  • Alicate de unha, lixa de unha, cortador de unha, tesoura
  • Shampoo, condicionador, creme para pentear, etc
  • Fio dental, escova de dentes, creme dental
  • Carregadores de celular
  • žMáquina fotográfica, carregador
  • Leitura para a viagem, Músicas para viagem
  • Pijama, chinelos para o hotel

NA MALA - LUGARES FRIOS
  • Luvas, cachecol, casaco, touca, protetores de orelha.
Confira mais detalhes na nossa matéria Inverno no Hemisfério Norte: o que usar.


NA MALA - LUGARES QUENTES
  • Filtro solar, chapéu, óculos de sol, biquíni/maiô, saída de banho, bolsa de praia, chinelos.

DOCUMENTOS:


  • Passaportes
  • Passagens (ônibus/trem/avião)
  • Seguro viagem


MEDICAMENTOS:

Anticoncepcional

Vitamina C

Antigripal

Antiácido/Remédio para azia

Relaxante muscular (com e sem cafeína)

Energético

Remédio para diarréia (você vai precisar!)

Analgésico/antitérmico



AÇÕES NA CASA:

Tirar os lixos

Comida, água, areia para seu Pet

Desligar aparelhos eletrônicos

Preparar lanche para a viagem

Água para a viagem

Lavar, secar e guardar toda a louça



Esqueci de algo? Conta aí nos comentários!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Porque eu NÃO invejo o casal que se aposentou aos 30 anos para viajar o mundo

Já faz um tempo que eu adio este texto... Já iniciei e parei ele umas duas vezes... Sempre fico na dúvida se a polêmica vale a amizade, hehe.

A história do Casal que acumulou 1 milhão de dólares aos 30 anos, se aposentou e hoje viaja pelo mundo, a princípio, me chamou a atenção, claro! Abri a matéria imediatamente para saber COMO ELES FIZERAM ISSO? Também quero!

Porém, a cada linha, minha empolgação se dissipava.

Primeiramente, ambos tinham empregos corporativos com altos salários, o que já os distancia da minha, da sua, da nossa realidade.

Mas o que mais me entristeceu foi a parte em que eles contam sobre todos os sacrifícios que fizeram para alcançar esse milhão. As mazelas chegaram ao ponto de usar mais blusas e casacos dentro de casa só para evitar ligar a calefação! Eles moram nos EUA!

Além dessas privações no estilo de vida, eles trabalharam como loucos, atrás de promoções, aumentos e bônus. Trabalharam muitas horas mais do que os outros colegas.

Toda essa abnegação, de trabalho duríssimo e cortes absurdos nas atividades diárias, durou aproximadamente 7 anos!

Enquanto lia a matéria, meu cérebro só conseguia pensar: "E se eles tivessem morrido durante esse período de privações?"

Que ironia teria sido morrer no meio do caminho, no meio do plano, exaustos e infelizes.

Eu não faria o mesmo. Eu não faço isso na minha vida diariamente porque eu tenho uma visão muito clara da minha mortalidade e não acho que tamanho sacrifício vale a dúvida de estar vivendo de modo que me faça desejar morrer.

"Um criminoso foi condenado a prisão perpétua, porém sua pena foi reduzida pela metade. Como pode ser cumprida sua sentença?"

Da mesma maneira que esse desafio mental funciona, funciona a nossa vida.

O criminoso viverá um dia preso e um dia livre, pelo tempo que durar sua vida.


Como não sei quanto tempo permanecerei aqui, prefiro trabalhar um dia e viajar no outro (ou quase isso), e seguir assim, tendo a certeza de que metade do tempo que eu tinha foi fazendo o que eu mais amava.


Imagem Divulgação

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Quando um turista morre...

Toda morte violenta choca. Em geral, uma vida ceifada num acidente ou num crime causa mais revolta do que uma levada pela doença.

Mas certas mortes me dóem mais... Ontem, um técnico e medalhista alemão morreu no Rio, após um acidente de táxi...

Emociona-me muito quando fico sabendo de alguém que morreu durante uma viagem, longe de casa e da sua família.

Stefan Henze, o técnico alemão, veio ao Brasil participar das  Olimíadas, acompanhar a delegação alemã, conhecer o Rio de Janeiro...

Diferentemente de dezenas de outros atletas, que se recusaram a vir ao Brasil, deixando assim de competir, alegando preocupação com zica vírus, violência, poluição.

Stefan, não.

Como qualquer bom viajante, ele se 'arriscou' ao encarar o desconhecido.

Não é isso que fazemos, viajantes? Quando viajamos, nos colocamos a disposição do desconhecido, do acaso.

E é por isso que o turismo é uma reverência à cultura do outro. É abrir o coração para entender quem o outro é, como ele vive, o que come, o que faz, mesmo que isso signifique algum grau de periculosidade, ou altíssimo grau de desconforto.

Stefan não foi o único turista a morrer no Brasil. Brasileiros morrem no exterior. Abrir o coração para o outro tem desses perigos.

Exercito-me internamente, agora, para não deixar esse medo me impedir de dar o próximo passo.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Roteiro de 3 (ou 4) dias em Buenos Aires (com gastronomia)

Fui a Buenos Aires no feriado de Tiradentes deste ano (2016), cheguei na quinta à tarde e voltei no domingo ao meio-dia.

Seguem, então, minhas sugestões do que ver e onde comer em 3 dias na capital Argentina.

DIA 1

Chegando até umas 18h no seu hotel, ainda é possível aproveitar o Dia 1 para ver o sol se por em Puerto Madero. Uma amiga disse que o pôr-do-sol era o momento perfeito para se estar em Puerto Madero por conta das luzes dos guindastes que se acendem e o reflexo que produzem na água. De fato, recomendo essa região à noite. Lá, você verá a Puente de La Mujer, a Fragata Sarmiento, que é uma antiga embarcação que virou um museu náutico, e fotografar os guindastes que eram usados para descarregar produtos no porto. Não deixe de jantar uma Parrilla e tomar um sorvete na Freddo, de doce de leite, claro.




Todos os restaurantes nessa região são caros, mas o Cabaña Villegas é o mais acessível deles. Serve Parrilla de qualidade e tem vinhos bons em taças.

Se tiver tempo, já no primeiro dia, dê uma passada rápida no Café Tortoni e garanta seu ingresso para o Show de Tango deles, sobre o qual já falei aqui.

P.s.: Se você chegou na cidade bem cedo no primeiro dia, aproveite para fazer os passeios pelo centro, sugeridos abaixo.

DIA 2

Comece o dia se deliciando com as Medialunas da Canape, Cafe e Panaderia, na Calle Uruguay, 673. Padaria simplinha, mas que vai te deixar boquiaberto.


Teatro Colón - interior

Neste dia, explore a região central ao máximo. Faça um passeio a pé passando pelo Teatro Colón, que oferece tours guiados em Espanhol e Inglês, o valor é 200 pesos por pessoa e o passeio é de cerca de 1 hora.














Catedral Metropolitana - exterior
Catedral Metropolitana - interior














Depois, siga para o Obelisco e, se estiver com fome, pare para um churros com chocolate quente no Café Tortoni (e compre ingressos pro show de Tango, caso não tenha tido tempo no dia anterior). Depois, siga para a Plaza de Mayo, onde você verá a Catedral Metropolitana, linda por dentro e por fora, e a famosa Casa Rosada.


Plaza San Martín

Depois, caminhe pela Calle Florida, que é uma rua com lojas e casas de câmbio, até chegar na belíssima Plaza San Martín.

Se sobrar tempo, dê uma rápida passada no El Ateneo, teatro que virou uma livraria.
À noite, emocione-se no Show de Tango.

Nessa região central, recomendo o Restaurante Million, na Calle Parana, 1048.




DIA 3


Rosedal

Rosedal











No terceiro dia, é tempo de explorar os Bosques de Palermo e o bairro da Recoleta. Comece pelos Bosques de Palermo, que são o Rosedal, com entrada gratuita, e o Jardim Inglês, que é pago (confesso que não quis entrar no Jardim Inglês, mas de fora pareceu impressionante).


Floralis Genérica

Ali perto é a Plaza de las Naciones Unidas, onde fica a Floralis Genérica. Depois siga para a Recoleta, para ver o famoso Cemitério da Recoleta.


Cemitério da Recoleta

















Música ao vivo no Caminito

Caminito















Se sobrar tempo, pegue um metrô e depois um táxi para conhecer o Bairro La Boca, onde fica o Caminito. O passeio é rápido, mas é perfeito para um fim de tarde, com uma Quilmes gelada e a música ecoando por todos os cantos do lugar.

Almoce no delicioso e tradicional (e com bom custo-benefício) Don Julio, na Calle Guatemala, 4691, próximo aos Bosques de Palermo.

Para mim, o quarto dia foi um tanto triste. Eu havia planejado ver a Feira de San Telmo, que só acontece aos domingos, ainda antes de embarcar de volta pra casa. Eu imaginava que, se chegasse às 8h em San Telmo, veria a feira até umas 9h30, voltaria ao hotel até às 10h, e estaria às 11 no aeroporto, para pegar o voo ao meio-dia. Acontece que só lá em Baires descobri que a Feira só começa às 10h da manhã. Resultado, não conheci a feira... Mas, se você tem um voo mais tarde que o meu no domingo de volta, pegue um metrô e vá até este famoso mercado de pulgas.

...

Talvez você também queira ver as outras matérias sobre a cidade:

Buenos Aires, onde conto minhas lembranças afetivas da capital Porteña;
Buenos Aires - 8 anos depois e 2 gripes suínas mais tarde, onde conto sobre os motivos que adiaram minha visita à cidade em, nada mais, nada menos, que 8 anos!
E os Videos do show de Tango do Café Tortoni, para te deixar com água na boca!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

BUENOS AIRES

Uma viagem adiada há 8 anos, essa era a sensação. Parte da minha pesquisa sobre Buenos Aires foi pegar o caderninho de anotações que eu mantinha em 2008. Tão estranho pensar que todas aquelas atrações, restaurantes e cafés embremáticos, comidas e bebidas típicas estariam lá me esperando 8 anos depois.

Buenos Aires carrega consigo um peso. Um peso aristocrata. Um peso Europeu. Um peso que os argentinos se orgulham de carregar e que existe desde antes deles ou da própria cidade existir.

Existe uma animosidade estranha entre brasileiros e argentinos. Mas eu, que não me importo com rixas de futebol, ou com o próprio esporte, penso que apenas pelo banheiro, os Porteños já nos derrotaram. Jogar o papel higiênico na privada já os coloca um passo a frente de nós.

Não diga que o idioma é o Espanhol, eles se ofendem. É um idioma próprio e arrastado na medida certa para confundir o turista.

Mas o idioma da música e da dança é universal. No tango, na milonga, nas boleadeiras, nas letras de Gardel, todos se entendem, e se encantam, e aplaudem e se emocionam.

A carne é diferente, mas não tenha medo de arriscar. Se estiver sem sal, os restaurantes já estão habituados a essa reclamação brasileira, e o saleiro sempre vai estar sobre a mesa. Vá em frente, pode pedir a morcilha!

Mas lembre-se: eles são bons em Malbec. Não peça outra coisa. Eu não entendi, mas os vinhos brancos são sempre doces por lá. Depois da segunda tentativa e erro, fiquei no Malbec mesmo.

Não tome café da manhã no hotel. Vai por mim. Ache uma padaria humilde, com atendentes meio mal-humorados, e lá você terá a experiência reveladora de uma medialuna de manteiga com café que vai te fazer sonhar acordado dias depois. Meses depois.

E não esqueça do sorvete de doce de leite, das milanesas, da pizza diferentona. Tome uma Quilmes para refrescar e uma Patagônia para celebrar.

Sente-se numa mesa de bar no Caminito para ver uma herança Italiana que ultrapassa ela mesma. Sente numa mesa externa para comer Parrilla e observe uma herança Gaúcha que também excede a si mesma.

Ande pelas ruelas, perca-se nos bairros, e seja o brasileiro que excedeu a si mesmo.









quarta-feira, 8 de junho de 2016

Buenos Aires, 8 anos depois e 2 gripes suínas mais tarde

Buenos Aires é, geralmente, o primeiro destino internacional dos brasileiros nesta vida.

Era pra ter sido o meu também. Mas acabou sendo o décimo.

Deixe-me explicar.

No ínicio de 2008, decidi fazer um mini-intercâmbio em Buenos Aires, pois eu estudava espanhol na época. Comprei um pacote que incluia curso, estadia e passagens aéreas, e comecei a pagar o pacote em várias prestações. O intercâmbio seria em julho daquele ano.

Acontece que - para aqueles jovens que não lembram - 2008 foi o ano em que ouvimos falar, pela primeira vez, da assustadora e assoladora gripe suína. E os países mais afetados na America Latina eram justamente aqueles com invernos mais rigorosos, dentre eles, Argentina e Chile.

Na ocasião, o governo brasileiro sugeriu a quem tivesse viagem marcada para esses países, que a cancelasse, por medida de precaução.

A gripe suína, depois renomeada H1N1, que teve novo surto este ano, estava matando milhares de pessoas. Por isso, com medo de possíveis processos jurídicos, a empresa que estava organizando o meu intercâmbio cancelou tudo.

Fiquei desolada. Aquela iria ser minha primeira viagem internacional e eu já havia pago mais da metade do valor do pacote. Sem contar toda a pesquisa e montagem de roteiro!

Eis que, quase 8 anos mais tarde, depois de ter viajado para uns 10 países, surge a oportunidade de comemorar meu aniversário (que, pela segunda vez na minha vida, caiu num feriadão) em Buenos Aires.

Agarrei a chance com unhas e dentes e não me arrependo. Mesmo tendo ido já 7 vezes à Europa, Buenos Aires é única. Baires é uma mini-Europa com os benefícios extras do tango e da carne abundante.

Segue, também, meu relato lírico sobre a cidade.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Nossos videos do Show de Tango em Buenos Aires

Eu já havia explicado com detalhes neste post como funciona o Show de Tango do Café Tortoni. Mas dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, então, seguem dois videos que fiz do show.

No video abaixo, vemos o cantor interagindo com a platéia, convidando para cantar "Por una Cabeza", de Carlos Gardel:


E no video abaixo, vemos uma das muitas apresentações de dança, neste caso com todos os 4 casais de bailarinos:


O show do Café Tortoni tem teatro, música, dança e até uma apresentação de Boleadeiras. Uma experiência Portenha imperdível!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Como é o show de Tango do Café Tortoni, em Buenos Aires

Antes de ir a Buenos Aires, já sabia que queria ver um show de Tango. Mas assim como fiz com o show de Fado em Lisboa, sabia que não queria ver nenhuma superprodução à la Hollywood. Eu queria ver algo mais "raiz"...

Os shows caros e produzidos, caso você queira ver, são no Rojo Tango, no Señor Tango, entre outros. Nessas casas, existe a opção de ver apenas o show, ou ver o show + jantar. Todos os sites e avaliações de turistas que li durante a pesquisa pré-viagem diziam que a comida nesses lugares é fraca.

Uma amiga (oi, Thais!), e depois outros conhecidos, super indicaram o show de Tango do Café Tortoni, que também é um dos must-see de Buenos Aires. Cafeteria antiga e charmosa, foi uma das primeiras instalações do tipo na cidade e reunia os artistas e intelectuais da época em que Carlos Gardel trazia o Tango para as bandas do Rio da Prata.

Essa minha amiga comentou que o Tortoni fazia 2 shows por noite, e que o mais animado era, sem dúvida, o último. Com medo de ficar sem ingresso, ou num lugar ruim, já passamos lá no dia da nossa chegada (quinta), e compramos o ingresso pro show do dia seguinte. No entanto, chegando lá, o cara que vende os ingressos disse que eles haviam parado de fazer 2 shows, por falta de platéia, e estavam fazendo apenas um por noite, às 20h. Eles sempre pedem que você chegue meia hora mais cedo.

O show de Tango do Café Tortoni é um dos mais baratos, 300 pesos por pessoa. Você fica sentado em mesas para 4 pessoas. No nosso caso, como éramos apenas 2, dividimos a mesa, na ocasião, com dois rapazes da Coréia do Sul. Você sempre terá de dividir a mesa, se estiver em menos de 4 pessoas. O garçom (russo!!!) traz o cardápio e tira os pedidos antes do show começar. Você pode consumir qualquer coisa do cardápio, mas eles não repõem durante o show.

O show é uma mistura de teatro, dança, canto e apresentação musical. Tem um cantor principal, muito bom, 4 casais que dançam, e existe um intervalo nesse "teatro-dança-cantoria" para um homem que se apresenta com boleadeiras, acompanhado de outro que toca o tambor típico dos GauchosO show leva, aproximadamente, uma hora.

Mas para nosso espanto, ao final do show, exigiram que todos saíssem da salinha subterrânea onde acontece o show. Nós, que ainda não tínhamos terminado nosso vinho, ficamos nas mesas do café, e foi então que vimos que, SIM, eles têm uma segunda sessão do show! Fiquei bem ofendida, porque queria ter visto essa sessão mais tarde, pois facilita no quesito "jantar". O Café Tortoni é um tanto caro, e não oferece refeições de verdade. Ou seja, acabamos não jantando e ficando com fome no fim da noite...

Mas o show em si é empolgante, eles interagem muito com a platéia. Achei a experiência sensacional!

Fique de olho na nossa página no Facebook para ver os videos que fiz lá! Ou veja os dois melhores nesse post!




quarta-feira, 11 de maio de 2016

O que fazer e onde comer em Paris

Fiquei apenas 4 dias em Paris, e aqui estão as experiências que tive nesse tempo. Resumidas, claro. Fiz um roteiro dinâmico, com algumas sugestões famosas, e outras nem tanto, mas confesso que algumas coisas ficaram pra próxima.

Pegue o metrô Palais Royal Musée Du Louvre linha 1 e desça no Musée Du Louvre para vê-lo de fora. Se for vê-lo por dentro, reserve uma tarde toda para as suas seções preferidas, ou um dia todo para ver o lugar por completo.

Dica de refeição perto do Louvre, para quem for passar o dia no museu e ficar com fome:

Le Comptoir de la Gastronomie, 1o. arrondissement, perto do Louvre
34 Rue Montmartre
Metrô: Etienne Marcel (linha 4)
De segunda a quinta de 12h às 23h, sexta e sábado de 12h às 0h

Este restaurante é especializado em Foie Gras. Lá comemos sopa de cebola, um clássico francês, e Ravioles de foie gras de pato com creme de trufas. Foi a refeição mais cara que fizemos em Paris: aproximadamente 65 euros, com vinho.


A partir do Musée du Louvre, caminhe até os Jardins des Tuileries: Belíssimos jardins onde os franceses lêem o jornal. Caminhe por lá com calma. O jardim termina na também bela Place de la Concorde.

Fomos ver o Arco do Triunfo seguindo pela Champs-Elysées. Do Louvre até o Arco são quase 4km, por uma rua turística e muito cheia de gente. Leva de 1h a 1h30. Eu fiz, mas não recomendo se for uma viagem curta. Achei o Arco dispensável. Porém, se você é muito fã, tem como entrar nele.

Daqui, pode-se ainda optar por ir até a Église de la Madeleine, que é linda por dentro e por fora, com colunas gregas.





Quem gosta de museus, não pode perder, além do Louvre, outros dois museus menores, mas muito importantes na capital francesa:

Orangerie - Museu pequeno e fofo, onde se precisa de apenas umas 2hs, e estão as Ninféias, de Monet.



D’Orsay - Museu que fica numa antiga estação de trem, lindíssimo. Dizem que é o verdadeiro museu dos parisienses. Precisa-se de umas 4 a 6hs para vê-lo por completo.

Compre os ingressos dos dois juntos e vai economizar. O passaporte Orsay + Orangerie custa 16 euros.

Caminhe pelas margens do Sena até 
Notre Damme.



Eu, particularmente, sugiro ver a torre de uma maneira mais ‘glamurosa’ e inesquecível: Pegue um metrô para a estação Trocadéro, e, ao sair da estação, vá até os Jardins du Trocadéro. De lá, você vai ter a melhor vista da Torre. A posição é perfeita para fotos. Depois desça pelos jardins, onde ficam chafarizes gigantes, que fazem um espetáculo de águas a cada hora cheia. Finalmente, cruze a ponte e estará na Torre. Subir ou não, é escolha sua. À noite, a Torre tem um show de luzes a cada hora cheia.



Não tive tempo de ir às Catacumbas de Paris. Amigos, no entanto, dizem coisas distintas: uns adoraram, outros disseram que só os primeiros metros são impressionantes, depois vira mais do mesmo. A entrada custa 10 euros.

Os jardins de Luxembourg são lindos, e não precisa de muito tempo para vê-los. Perto deles também ficam os Jardins Des Plantes.

Também visitamos a St. Germain des Près, a igreja mais antiga de Paris. Fiquei impressionada com a arte em madeira, e com uma concha gigante onde fica a água benta.

Próximo da igreja e do jardim de Luxembourg, sugiro este restaurante:

L’Avant Comptoir, em Saint-Germain-des-Prés, no 6o. arrondissement
3 Carrefour de l’Odéon
Metrô: Odéon (linhas 4 e 10)
Todos os dias 12h às 23h

Tivemos uma refeição inesquecível aqui. O lugar é especializado em petiscos de carne de porco. É apenas um balcão, onde você come em pé mesmo. Sobre o balcão, o melhor pão que já comi na vida, acompanhado de manteiga também feita por eles. Sugiro o peito de porco caramelizado. Gastamos menos de 30 euros o casal, com vinho.

Nesta mesma região, fica a Shakespeare & Co. (onde você precisa ler a inscrição inspiradora que o dono fez quando deu a livraria a sua filha), e a imprescindível Notre-Dame. Custa 8,50 para subir na torre, mas tem uma fila lenta. Para entrar na própria catedral é gratuito, também tem filas, apesar de mais rápidas.

Também nesta região, está a minha sugestão para comer bons crepes franceses: Crêperie de Cluny (20 Rue de la Harpe). Gastamos menos de 40 euros o casal, com cerveja (mas foi uma cerveja bem cara, acima da média).


A Basílica de Sacré-Coeur fica no alto de uma colina, e por isso, é razoavelmente cansativa para subir, mas tem uma vista linda de Paris. A entrada é gratuita. A famosa cena em que Amélie Poulain entrega o livro de fotos a Nino acontece nas escadarias da basílica. Ali perto fica o Moulin Rouge e o café em que Amélie trabalha no filme.

Aqui, eu faço um apelo: se for a um único restaurante em Paris, vá fazer degustação de queijos neste: 

L’Affineur Affiné: 51 rue Notre Dame de Lorette 75009 Paris. Fechado nas terças feiras. Aberto de quarta até sábado das 10.30h até 21.30h. Domingo e segunda das 10.30h até 20.30h.
Se não reservar antes, chegue cedo. Eles têm apenas 7 mesas, e, assim que elas enchem, eles fecham a entrada. A degustação tem, além de queijos, pães feitos lá mesmo, e uma salada primorosamente temperada com mel e mostarda. Pedimos apenas 5 queijos, e já foi mais que suficiente para 2 pessoas. Eu ALTAMENTE sugiro o queijo com trufas negras e o gorgonzola. Gastamos menos de 30 euros o casal, com vinho.


Extras - Abaixo seguem mais passeios que deixamos de fazer e um restaurante que deixamos de conferir por falta de tempo, mas que pretendo fazer na próxima ida a Paris:

Experimentar Escargot no Les Fous de l’Ile, 32 rue des deux Ponts 75004 Paris. Metrô: Pont Marie.

Passeio ao Château de Versailles e a Giverny, os jardins de Monet.